sexta-feira, 28 de maio de 2010

Jardim Zoológico de Lisboa está de parabéns

O Jardim Zoológico de Lisboa está de parabéns. O mais antigo parque animal da Península Ibérica comemorou, esta sexta-feira, 126 anos e como não poderia deixar de ser a grande data foi celebrada com um evento à medida, o regresso das Chitas ao parque.

Junto ao recinto dos elefantes africanos há agora um novo espaço no Jardim Zoológico: uma instalação de exibição e reprodução de Chitas, um dos animais mais ameaçados no mundo. Os felinos estão de volta ao parque e contam agora com um espaço com mais de 100 metros quadrados para brincar.

Nada incomodadas com a presença dos jornalistas, as chitas divertiram-se durante toda a tarde no seu novo espaço repleto de plantas, locais de sombra e rochas, tudo para «se sentirem o mais próximo possível do seu habitat natural», garantiu ao tvi24.pt o tratador dos animais, José Oliveira, que há mais de 20 anos se dedica aos felinos do Jardim Zoológico de Lisboa.

Chitas - um animal com muita pinta

Os três novos habitantes do parque distinguem-se no reino animal pela sua incrível rapidez. O leopardo chita é o animal terrestre mais veloz do planeta. No entanto, nem os 120 km/h que é capaz de atingir o salvam das mãos dos caçadores, que lucram com a venda da sua pele no mercado negro.

«A pelagem da chita torna-a num dos animais mais ameaçados do planeta, bem como a destruição do seu habitat natural e o facto de caçarem animais domésticos, o que causa grande revolta aos agricultores, que se vingam matando os felinos», garantiu o responsável pelo fundo de conservação do Jardim Zoológico de Lisboa, José Dias Ferreira ao tvi24.pt.

O risco de extinção foi um dos motivos que levou a administração do jardim a apostar na espécie. «O papel dos jardins zoológicos mudou. Os jardins zoológicos já não são espaços de exposição de animais, mas sim locais de preservação, daí a nossa aposta em animais em vias de extinção, bem como na diminuição do número de exemplares, para que cada um possa ser tratado com mais atenção», explicou José Ferreira.

Atenção não faltou aos dois machos e à fêmea de leopardo chita que roubaram todo o protagonismo aos elefantes, seus vizinhos.

«As chitas são animais sociáveis... quase»

Elegantes, esguias e brincalhonas. Há muito que o leopardo chita, Acinonyx jubatus, desperta a curiosidade do homem. Para José Oliveira, este animais «são sociáveis», ou melhor «quase sociáveis».

O tratador garante que «as chitas são capazes de passar o dia a brincar ou estendidas ao sol», estando quase sempre «muito bem dispostas».

«Mas quando estão tristes noto logo a diferença. A sua expressão facial muda», disse o tratador, que todos os dias alimenta e observa estes animais.

«As chitas comem 2,5 quilos de carne por dia. É verdade! Parece muito pouco, mas é o indicado para estes bichos que apesar da imponente figura pesam apenas 50 quilos».

Os golfinhos juntaram-se à festa

Com o zoo de parabéns, todos os bichos se juntaram à festa. Durante o espectáculo de golfinhos, os participantes cantaram e desejaram um feliz aniversário ao mais antigo jardim zoológico da Península Ibérica.

Dos oito aos oitenta, muito foram os que aproveitaram o bom tempo para visitar a bicharada do parque, mas nem todos sabiam de antemão que se tratava de uma data especial.

«Eu soube porque a menina dos golfinhos disse», explicou Ariana Silva, de cinco anos, deliciada com estes mamíferos aquáticos, uma das 360 espécie animais mais apreciadas pelas centenas de milhares de visitantes que todos os anos passam pelo jardim zoológico da capital, um reduto selvagem no coração de Lisboa. (Tvi24)

sábado, 22 de maio de 2010

Lisboa: cheias, derrocadas e sismos são riscos prováveis

O geógrafo Luís Zêzere, da Universidade de Lisboa, identificou as cheias, as derrocadas e um eventual sismo como os riscos naturais mais prováveis em Lisboa e defendeu limites à construção nas zonas onde as inundações são mais prováveis, noticia a Lusa.

O investigador analisou a possibilidade de acontecerem na AML (Área Metropolitana de Lisboa) riscos naturais como inundação por tsunami, sismo, erosão do litoral, movimentos de massa em vertentes, cheias e inundações, incêndios florestais e riscos tecnológicos, definindo quais os territórios onde é mais provável que ocorram estes fenómenos.

Concluiu que os riscos mais problemáticos são as cheias, as derrocadas e a possibilidade de um sismo.
Para o geógrafo, a solução para evitar tragédias em caso de cheias ou derrocadas, é simples, basta proibir a construção em zonas onde existe uma probabilidade elevada de ocorrerem.
As baixas de Loures, Odivelas, Vila Franca de Xira, Alhandra e Alverca, por exemplo, são «sítios muito expostos às cheias e inundações».


«A solução é claramente não edificar mais. As cheias ocorrem em zonas muito mais delimitadas e é fácil evitá-las, porque são até áreas com outros tipos de interesses, onde podemos ter parques urbanos, ou agricultura, ou outro tipo de utilização», disse à Lusa, criticando o facto de a expansão da construção nas zonas perigosas não ter abrandado na última década.

De acordo com o geógrafo, há ainda um perigo frequente na AML, que é a instabilidade das vertentes e os deslizamentos, que se sucederam neste Inverno.

«É o caso da encosta de Campolide ou do caso da derrocada que interrompeu a CREL durante três meses», exemplificou, salientando que este risco atinge sobretudo os concelhos de Loures, Vila Franca de Xira, Mafra e, já fora da AML, Arruda dos Vinhos.
Para o investigador, já a solução para mitigar o risco sísmico não passa por deixar de construir. Zêzere considerou que Portugal tem uma boa lei a reger a construção anti-sísmica no país, que vem já desde os anos 80.

«Partindo do princípio de que esta lei está a ser cumprida, não é suposto que tenhamos muitos problemas para a construção posterior a 1983. No entanto, não é seguro que isto aconteça, porque, em abono da verdade, a fiscalização não é muito eficaz e só saberemos se as regras anti-sísmicas estarão a ser cumpridas quando houver um sismo grande», considerou.

Em caso de sismo, «muitos dos edifícios anteriores à lei vão seguramente cair», afirmou.

«Quando um sismo afectar Lisboa, a perda de vidas humanas vai depender de o sismo ocorrer de dia ou de noite, durante a semana ou ao final de semana, porque há muita gente a trabalhar em Lisboa, mas muito pouca gente dorme em Lisboa», declarou.

Actualmente já há soluções para reforçar os edifícios contra os sismos, «mas ainda é uma coisa cara, pelo que tem de ser feita com algum critério».

«A Assembleia da República, neste momento, está perfeitamente protegida e em caso de investida sísmica não deve cair. Mas como não há dinheiro para pagar o alargamento a todos os edifícios, seria bom protegermos os quartéis de bombeiros, os hospitais e os centros de saúde, por exemplo, porque é suposto contarmos com eles em caso de emergência», concluiu. (TVI)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Deslizamento no centro de Lisboa por pouco não faz vítimas

Um deslizamento de terras na Vila Martins – uma antiga vila operária – na Rua Damasceno Monteiro, entre os Anjos e a Graça, em Lisboa, derrubou meia dúzia de casas mas não fez nenhuma vítima mortal.

Há, no entanto, registo de três desalojados: um casal, que não se encontrava em casa no momento da derrocada, e uma senhora que conseguiu sair da habitação segundos antes.

No local realizaram-se buscas com equipas cinotécnicas para averiguar a eventualidade de haver pessoas soterradas, uma vez que os prédios, em mau estado, eram frequentemente usados por sem-abrigo e toxicodependentes.

Cerca de 16 moradores, de prédios contíguos ao que ruiu, foram impedidos de permanecer nas suas casas. Os bombeiros apenas autorizam que entrem em suas casas, acompanhados por um elemento da força, para recolher alguns objectos pessoais. O SOL falou com alguns dos moradores que disseram ir passar a noite em casa de familiares.

Helena Roseta, vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Lisboa, esteve no local e afirmou que a autarquia vai iniciar amanhã de manhã a vistoria «para vermos que obras são precisas».

A vereadora salientou ainda que esta situação «vem mostrar a necessidade de um programa nacional de reabilitação urbana porque as câmaras não têm dinheiro para se substituírem aos senhorios».

As autoridades municipais vão fazer uma vistoria a toda a encosta para saber se vai ser necessário fazer obra de contenção na área.

O espaço está inacessível uma vez que as autoridades criaram uma barreira de segurança. A polícia vai permanecer no local durante toda a noite. (Sol)

sábado, 1 de maio de 2010

Abate sistemático de árvores no Jardim do Príncipe Real

Requalificação está perto do fim, mas há dúvidas que persistem. Autoridade Florestal diz que tem acompanhado a obra, mas afirma que era necessário um parecer prévio


Há máquinas a trabalhar. Pavimento ainda a ser calcetado. Bancos de jardim empilhados. Areia remexida. E ainda lódãos a seco sobre a terra, por plantar. Passados mais de cinco meses desde o início das obras no Príncipe Real, em Lisboa, o jardim histórico ainda não tem dia certo para reabrir. Mas, segundo fonte oficial do pelouro dos Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa (CML), o jardim reabrirá em três semanas.

O ritmo aumenta para quebrar o atraso e se volte a usufruir do jardim. As obras, que tinham uma previsão de quatro meses, começaram no dia 9 de Novembro passado, mas foi no dia 23 daquele mês que as dúvidas tomaram de assalto população e comerciantes. Começou o abate de árvores. A "indignação" surgiu, "porque o abate era sistemático", recordou ao DN Jorge Pinto, dos Amigos do Príncipe Real.

O restauro era necessário, consideram, mas não esperavam tal abate. O folheto distribuído nas caixas de correio indicava apenas "substituição de algumas árvores". No entanto, o projecto inicial, datado de Janeiro de 2009, já previa a substituição de 62. A 26 de Novembro, o vereador José Sá Fernandes garantiu ao DN que era necessário pelo menos o abate de "meia centena de árvores", por estarem "doentes" e ser "inevitável substituí-las". Mas no decorrer das obras, algumas conseguiram escapar ao plano das 62. Até agora foram cortadas 54 (ver caixa).

Alguns comerciantes e população não acreditavam que as árvores estivessem todas doentes e procuraram informar-se, junto das entidades, nomeadamente da câmara, mas os documentos tardavam e alguns pareciam não existir. As dúvidas persistiram, algumas alimentadas pelo cenário caótico que alcançavam através do gradeamento.

Contactada pelo DN, a Autoridade Florestal Nacional (AFN), entidade que compete "manifestar-se sobre as obras de requalificação, assim como indicar as medidas para salvaguardar o estado vegetativo das árvores", uma vez que existem árvores classificadas, afirma que "não houve um claro pedido de parecer formal por parte da câmara". Citando um relatório enviado à autarquia no dia 18 de Março, a AFN afirma que não tinha conhecimento do abate de quaisquer árvores, e adianta que "um, em tão grande número, é uma medida negativa para a memória afectiva das pessoas, assim como a população devia ter sido mais bem informada, e o abate faseado".

A legislação vigente prevê que qualquer árvore classificada tem uma área de protecção. Por isso, é da competência da AFN a emissão de um parecer sobre a intervenção nas áreas de protecção ou que possa afectar essas árvores num perímetro de 50 metros desde a base. Estes pareceres "não podem ser emitidos por municípios nem outras entidades, sem que exista um parecer prévio conjunto da AFN e do Igespar (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico)". O DN contactou ontem o Igespar, mas em tempo útil não foi possível obter resposta.

Segundo a AFN, a câmara e a AFN tiveram duas reuniões, a pedido da autarquia. Uma a 29 de Setembro de 2008 e a outra em 2 de Dezembro do ano passado, quando as obras já tinham começado e pelo menos três dezenas de árvores tinham sido abatidas para substituição. "Às vezes a carroça anda à frente dos bois e podemos estar perante uma situação dessas", disse fonte oficial da AFN.

Apesar da "informalidade" e de ser dever da câmara enviar "um ofício e cumprir prazos estipulados na lei", o documento citado indica que "as obras não devem parar", mas apela "à melhoria do diálogo" e, no futuro, "em situações semelhantes o processo possa decorrer em tempo útil", evitando "danos" para a vegetação. A AFN adiantou que há um técnico que acompanha as obras e que a câmara os tem informado sobre as intervenções.

Fonte oficial do gabinete do vereador José Sá Fernandes garante "que as autoridades competentes acompanharam o processo e foram informadas". Contactada pelo DN, disse que CML "admite e já admitiu que o abate podia ser faseado", adiantando que o "jardim vai ficar renovado, terá mais luz, mantendo os traços originais". (DN)