quarta-feira, 24 de novembro de 2010

LISBOA PRÉ-POMBALINA EM 3D NO MUSEU DA CIDADE

Museu da Cidade apresenta a partir de quinta-feira reconstituição virtual da capital antes do terramoto.

Partindo de uma das suas peças mais emblemáticas - a enorme maqueta construída entre 1955 e 1958, que representa a cidade de Lisboa antes do terramoto de 1755 -, o Museu da Cidade passa a contar, a partir de quinta-feira, com mais um atractivo para os visitantes: um modelo tridimensional virtual da capital, Lisboa, pouco antes do terramoto.

"Com recurso às novas tecnologias, e partindo de uma das peças do museu que mais empatia e admiração colhe junto do público, foi desenvolvido um sistema multimedia interactivo onde corre um programa que possibilita, a partir de um modelo 3D, ver a cidade anterior ao terramoto", explicou ao DN Ana Cristina Leite, directora do museu.

O sistema foi desenvolvido pela SWD Agency e recebeu elogios de Bernard Fisher, professor de História de Arte na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, e director do Virtual World Heritage Laboratory. Segundo afirmou ao DN João Sarmento, da SWD, Bernard Fisher, também responsável pelo projecto virtual Rome Reborn, classificou o modelo digital de Lisboa como "um projecto de nível mundial" e "um belo produto de uma profunda pesquisa histórica".

A reconstituição virtual permite conhecer e experienciar 21 pontos notáveis da Lisboa pré- -pombalina sobre os quais apresenta ainda uma breve nota histórica e descritiva. Paço da Ribeira, Terreiro do Paço, Rossio, Rua Nova, Convento do Carmo, Palácio das Necessidades ou a Casa da Ópera, edifício que acabou de ser construído no início de 1755 e que ruiu com o terramoto, são algumas das estruturas recriadas com um rigor e realismo só possível em modelos 3D. Pequenos quiosques com ecrãs tácteis abrem a porta a esta verdadeira viagem no tempo, resultado de um trabalho desenvolvido desde 2005 por uma equipa multidisciplinar do Museu da Cidade. Pormenores como as cores, os materiais, as texturas, os revestimentos e detalhes decorativos são revelados aos visitantes.

A modelação tridimensional, com interactividade a 360º e animações 3D por diversos percursos na cidade, interage com a maqueta física: quando o visitante escolhe um dos edifícios virtuais, acende-se uma luz sobre a maqueta dos anos 1950, que lhe indica a sua localização na malha urbana.

"O modelo digital potencia outros projectos", refere Ana Cristina Leite. "A partir da reconstituição da cidade antes de 1755 podemos reconstituir o terramoto e, a partir daí, recriar a reconstrução da cidade após o terramoto", adianta.(Ecultura)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Lisboa conta com três novos monumentos nacionais

Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Fundação Gulbenkian, Jardim Botânico e campo de Aljubarrota são monumentos nacionais

Das quatro novas classificações como monumentos nacionais, aprovadas em Conselho de Ministros, três situam-se em Lisboa (Igreja do Sagrado Coração de Jesus, o edifício-sede e parque da Fundação Calouste Gulbenkian e o Jardim Botânico de Lisboa), o que, segundo a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, "vem reforçar a importância que o município de Lisboa atribui a esses locais". O Campo da Batalha de Ajubarrota e a área envolvente é o único classificado como monumento nacional que não se situa na capital.

Segundo um comunicado do Fórum Cidadania Lx, esta classificação vem evitar "sérias consequências" para o Jardim Botânico de Lisboa, "como resultado da aplicação do Plano de Pormenor do Parque Mayer". Este jardim começou a ser plantado em 1858, sendo resultado dos trabalhos dos jardineiros-paisagistas Edmond Goeze e Jules Daveau, mas também dos professores Conde de Ficalho e Andrade Corvo. Este decreto-lei que classificou estes espaços como monumentos nacionais refere ainda que o jardim constitui "uma das mais valiosas colecções botânicas em Portugal".

O Campo de Batalha de Aljubarrota e a área envolvente merece esta classificação dada a sua "importância histórica", mas também porque foi "pretexto para o desenvolvimento de uma táctica militar inédita, apurada na Guerra dos 100 anos e posta em prática por D. Nuno Álvares Pereira, de que é testemunho o complexo sistema defensivo, constituído por cerca de 800 covas de lobo e dezenas de fossos, posto a descoberto nas campanhas arqueológicas que decorrem desde 1958". Alexandre Patrício Gouveia, presidente da Fundação Batalha de Aljubarrota, referiu à Lusa que a fundação mantém dois objectivos para o espaço: "p enriquecimento dos conteúdos expositivos" e a "recuperação paisagística".

A Igreja do Sagrado Coração de Jesus (Rua Camilo Castelo Branco, Lisboa) é uma obra dos arquitectos Nuno Teotónio Pereira e Nuno Portas, e é, segundo este decreto-lei, um edifício que "inova decisivamente no plano da concepção do espaço litúrgico, e que se enquadra numa estética neo-brutalista", sendo assim uma "referência no âmbito da arquitectura portuguesa do século XX".

Já o conjunto do edifício-sede e parque da Fundação Calouste Gulbenkian é também dedinido como uma referência "na arquitectura nacional e internacional".

Com esta classificação, estes espaços devem ser a partir de agora "objecto de especial protecção e valorização, no quadro da obrigação do Estado de proteger e valorizar o património cultural". (DN)